Notas

Quem conhece meus estudos sobre História do Brasil sabe que tenho um livrinho intitulado O perigo alemão. Infelizmente, sou obrigado a retornar ao assunto, pois esse fantasma está de volta.

Este site está completando 9 anos. Ele não possui muitos leitores, mas durante esse tempo recebi um razoável número de e-mails. A maioria deles foi mais ou menos como este site – apresentava um conteúdo racional. Em geral, tratava-se de pedidos de informação bem objetivos, na maioria dos casos, de caráter histórico, isto é, nazismo e “neonazismo” nem sempre estiveram no centro. Lembro-me de apenas três e-mails que poderiam ser classificados como “polêmicos”.

Aquele que colocar no Google os termos “moça da suástica” virá aparecerem dezenas – talvez centenas – de entradas, datadas de 10 de outubro de 2018, noticiando que uma moça foi atacada em Porto Alegre e teve uma suástica desenhada em seu corpo, com canivete. A notícia se espalhou pelo planeta como um raio, pois todo mundo imaginou que havia acontecido mais um ataque criminoso desses supostos animais dos “alemãos” nazistas do Rio Grande do Sul.

 

Muitos anos atrás, ao passar pelo Morro Reuter (pronuncia-se Róiter), vi a placa indicativa “Walachai”, e imaginei que o lugar tivesse recebido o nome em função da existência de uma criação de cavalos (Wallach significa cavalo macho castrado, em alemão), já que por ali há também um Teewald (Herval) e um Batatental (Vale das Batatas). Só muito tempo depois, fiquei sabendo que, de fato, aquele nome deriva de Walachia (Valáquia), uma província romena.

Se o prezado leitor possui ao menos um neurônio em funcionamento, fuja do senso comum quando ouvir falar de nazismo e “neonazismo” no Brasil (sobretudo do senso jornalístico).

De forma lamentabilíssima, incluem-se casos de senso acadêmico! Tendo em vista a matéria da TV Bandeirantes sobre o Canal do Linguado, dei uma olhada naquilo que se publicou a respeito, desde o início deste ano (2018).