Notas

Nunca me manifestei neste site sobre resultados eleitorais em âmbito maior (níveis federal e estadual), mas tenho feito algumas postagens sobre a situação municipal, em específico sobre a escolha de mulheres para o cargo de prefeitas. Interessada(o)s podem conferir as notas “as prefeitas gaúchas”, além de manifestações relacionadas sobre “a prefeita negra da Baumschneis”, “atenção, hiperracistas, a negra da Baumschneis fica” e “grande Tânia, grande mulher, grande negra”.

Adriana Abreu Magalhães Dias é endeusada, glorificada, pela imprensa, como a maior pesquisadora e conhecedora de "neonazismo" no Brasil. De minha parte, tenho sérias restrições a essa senhora, naquilo que tange a este tema, pelos motivos que seguem. Meu primeiro embate com ela aconteceu durante o primeiro semestre de 2008. Em 2007, ela havia defendido uma dissertação de mestrado em Antropologia, na Universidade de Campinas, intitulada Os anacronautas do teutonismo virtual: uma etnografia do neonazismo na Internet, mas o texto só ficou disponível online lá por maio do ano seguinte.

 

[Considerando que a Editora Oikos teve destruído seu depósito, pela enchente de maio de 2024, disponibilizo o livro nos links, ao final deste texto]

 

Está no mercado meu livro mais recente, chamado A trajetória de um professor-colono (São Leopoldo: OIKOS Editora, 2020). Martin Dreher, autor da “orelha”, estranhou a ausência de qualquer referência à família. Expliquei-lhe que se trata de apontamentos autobiográficos exclusivamente sobre minha atividade intelectual-profissional. Por isso, são citado(a)s aluno(a)s e colegas, mas esposa e filhas não.

Vejo-me compelido a voltar ao caso dos “túneis nazistas” de Ibirubá. O tema é problemático por si só. Vou dizer por que. Algum tempo atrás, recebi telefonemas e e-mails relatando que o respeitado filósofo Roberto Romano, da UNICAMP, havia declarado ao Globo News que o Rio Grande do Sul está abarrotado de “neonazistas”. Fiz contato com ele; não negou a declaração, dizendo que ela se baseava em informações colhidas num órgão de divulgação de um Instituto Humanitas, de uma grande universidade cristã gaúcha. Este instituto congrega cristãos “progressistas”, possivelmente simpáticos à Teologia da Libertação, e parecia óbvio que enxergasse como sua obrigação denunciar essa maldade chamada “neonazismo”. Perfeito. Os integrantes do instituo, porém, não se deram conta de que, com sua manifestação, estavam colocando no mundo um enorme potencial de instigação ao ódio étnico-racial – em seu bem intencionado e meritório élan de combater preconceitos, estes haviam entrado pela porta dos fundos.

No “Fantástico” da Globo de domingo, 6 de outubro de 2019, foi apresentada uma “espetacular” matéria sobre nazistas em Ibirubá. Esse caráter espetacular ficou evidenciado pela intensidade das chamadas durante a semana, e pelo fato de ter sido deixada para o final do programa. Descubro agora que está planejado um segundo round sobre esse assunto. Antecipo-me para “furar” essa nova matéria da grande empresa jornalística.